ANPD cobra verificação de idade para abertura de caixas no CS2 e em outros jogos
Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta que Counter-Strike 2 está entre os jogos que ainda não se adequaram ao ECA Digital; Valve pode ser forçada a alterar sistema de caixas no Brasil.
A abertura de caixas no Counter-Strike 2 pode sofrer mudanças. Nesta semana, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) solicitou à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que passe a monitorar jogos que utilizam loot boxes e ainda não implementaram mecanismos efetivos de verificação de idade.
O Counter-Strike 2 foi citado nominalmente em um relatório oficial como um dos alvos prioritários de fiscalização.
A medida faz parte da Nota Técnica nº 55/2026, elaborada pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), que avalia os primeiros seis meses em que o chamado ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) entrou em vigor. A legislação passou a proibir que crianças e adolescentes tenham acesso às mecânicas de loot boxes, sistema idêntico ao mercado de Caixas e Chaves da Valve, onde o jogador paga pela chance de obter uma recompensa aleatória.
O CS2 sob os holofotes do Governo
Um levantamento da Coordenação-Geral de Políticas de Classificação Indicativa analisou 15 títulos populares no país. Desses, o governo destacou seis jogos que ainda não implementaram as medidas de adequação e que devem se tornar o foco principal da ANPD. A lista inclui: Counter-Strike 2, Call of Duty, Genshin Impact, PUBG Mobile, NBA 2K26 e WWE 2K26.
Segundo o MJSP, estudos apontam que esse modelo de monetização pode causar dependência, danos financeiros e predispor os jovens ao envolvimento futuro com apostas online.
O que a Valve precisa fazer?
A legislação brasileira não proíbe a abertura de caixas para adultos, mas exige que o acesso de menores de idade seja efetivamente impedido. O Decreto nº 12.880/2026 estipula que as desenvolvedoras têm apenas três caminhos legais no Brasil:
- Verificar a idade dos usuários rigorosamente e bloquear a abertura de caixas para crianças e adolescentes;
- Oferecer uma versão do jogo sem as caixas de recompensa;
- Restringir totalmente a funcionalidade por padrão para todos os usuários com IP brasileiro.
A Nota Técnica do MJSP deixou claro um ponto crítico: apenas colocar um aviso de “classificação indicativa 18 anos” ou divulgar as probabilidades (chances de dropar uma faca, por exemplo) não substitui o bloqueio. A Valve terá que comprovar que os mecanismos de verificação de idade realmente impedem que menores comprem chaves e abram caixas no CS2.
O “Efeito Bélgica” pode chegar ao Brasil?
O documento do governo também cita as medidas adotadas por países como Bélgica e Holanda. Para quem acompanha o CS de perto, o resultado por lá já é conhecido: devido às rigorosas leis anti-jogos de azar desses países, a Valve optou por desativar completamente a abertura de caixas para os jogadores daquelas regiões. Em outro exemplo, na França, a Valve precisou implementar o “Raio-X”, onde o jogador pode ver qual item está dentro da caixa antes de comprá-la.
Agora, com o encaminhamento feito à ANPD e ao Ministério da Saúde, a Valve e as demais desenvolvedoras entram na mira direta da fiscalização brasileira. Caso a dona do Steam não adote um sistema robusto de verificação de identidade (como exigência de documentos), o Brasil poderá ver mudanças drásticas em uma das engrenagens mais lucrativas e tradicionais do Counter-Strike.
A RetakeCS continuará acompanhando os desdobramentos dessa decisão da ANPD e os possíveis impactos na economia de skins e na jogabilidade da comunidade brasileira.