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Piriajr e paiN Gaming – de protagonista a apenas mais um

Piriajr e paiN Gaming – de protagonista a apenas mais um

Após um 2025 de grande destaque pelo cenário brasileiro, Guilherme “Piriajr” Barbosa chegou à paiN Gaming em 2026 cercado de expectativas. Menos de um ano depois, deixa a organização após uma temporada bem abaixo do nível apresentado anteriormente. Os números mostram uma queda clara, mas a comparação entre suas funções e posições também revela mudanças importantes na forma como o jogador pôde exercer seu jogo.


O grande Piria de 2025

Para entender a temporada de 2026, é preciso voltar ao jogador que vimos em 2025.

Atuando por Fluxo e Bounty Hunters, o player teve um dos melhores períodos de sua carreira. Na BH, principalmente, encontrou espaço para assumir maior protagonismo e liberdade. O resultado foi um jogador bastante versátil.

No CT, atuava majoritariamente como rotator, utilizando sua mira e capacidade individual para buscar impacto. Foram 22,8% de tentativas de opening, com 65,4% de sucesso, além de 0,83 kills por round e participação em aproximadamente 53,7% dos rounds com kill.

No TR, seu repertório era ainda maior. Piria funcionava como um coringa, alternando entre lurker, opener, trader, half lurker – sendo o starplayer do time e algumas vezes atuando também como playmaker, conforme o mapa e a situação. De modo geral, contudo, o jogador priorizava atuar pelas pontas do mapa.

Seus 1.24 de rating no TR, +1,68% de Round Swing, 0,16 trade kills/round e 85,7% de vitórias em 1v1 mostram o impacto que conseguia produzir – em 2025 teve o 3º maior rating de TR nas Américas e o 12º maior do mundo de maneira geral.

Mais importante que uma função específica, era a possibilidade de usar diferentes variações em seu jogo para explorar melhor suas características e virtudes individuais.


A chegada à paiN

A expectativa, portanto, era natural. A paiN estava trazendo um jogador que vinha de uma temporada de alto nível e que havia demonstrado capacidade de atuar em diferentes funções.

Mas o Piria de 2026 acabou sendo diferente. E, mesmo com o fator de competitividade maior – seus adversários agora na paiN eram melhores – a principal mudança aparece na maneira como suas funções foram distribuídas.

De rotator para âncora no CT

Em 2025, Piria era predominantemente rotator. Na paiN, tornou-se um dos âncoras da equipe.

Na Mirage, passou a defender o tapete B; na Dust2 era o solo B; na Nuke, era o âncora secundário, responsável pela A; e na Inferno, também era o 2º âncora, na região da areia da A. Nos mapas da Anubis e Overpass, exercia funções de rotator.

Isso representa uma mudança importante. O rotator possui maior liberdade para se movimentar, buscar informações e procurar duelos pelo mapa. O âncora, por sua vez, tem como prioridade defender determinada região sem se arriscar muito e evitando fazer rotações.

Piria ainda buscava iniciativa, mas seu contexto oferecia menos oportunidades para transformar essa agressividade em impacto. Seu CT Rating caiu para 1.00, enquanto as tentativas de opening passaram de 22,8% para 20,1% e o sucesso caiu de 65,4% para 50,6%.


De coringa a lurker no TR

A mudança no Terrorista foi diferente. Piria continuou desempenhando uma função que já conhecia muito bem: lurker.

A diferença é que, em 2026, essa passou a ser praticamente sua função padrão. Ele atuou como lurker na Nuke, Mirage, Inferno, Dust2, Overpass e Cache, geralmente pelas pontas e em posições mais isoladas.

Em 2025, o lurker era apenas uma parte de seu repertório. Ele podia começar isolado e depois se juntar ao grupo, assumir uma entrada, atuar como trader ou transformar uma oportunidade em uma jogada de impacto.

Na paiN, essas possibilidades continuavam existindo ocasionalmente, mas o papel predominante era muito mais definido. Piria não deixou de fazer uma função que conhecia. Mas, ele passou a fazer muito menos coisas além dela – sua liberdade de atuação parecia muito prejudicada.


Os números também mudaram

A comparação geral mostra a dimensão da queda:

Estatística20252026
Rating HLTV 3.01.211.03
TR Rating1.241.06
CT Rating1.191.00
Round Swing+1,68%-0,17%
ADR84,772,3
Firepower94/10052/100
Multi-kill rounds20,3%16,3%

No TR, as tentativas de opening até aumentaram de 20,4% para 22,6%, mas o sucesso caiu de 52,6% para 44,3%, que não chega a ser ruim, porém ficava apenas na média. O desempenho em situações de 1v1 também caiu de 85,7% para 60,7% – queda muito grande – a impressão que fica é que o jogador até buscava participar e impactar mais o jogo, mas não obtinha os cenários ideais para isso.

Por outro lado, quando conseguia participar efetivamente dos rounds, ainda apresentava bons números: foram 96,7 de dano médio causado em rounds vencidos no TR. Isso sugere que o problema não estava necessariamente na capacidade de produzir impacto, mas na frequência com que conseguia participar e transformar suas oportunidades em vantagens para a equipe.

Lembrando que os adversários enfrentados em 2026 eram, de maneira geral, mais fortes. Portanto, a comparação estatística não deve ser interpretada isoladamente.


Piria e VSM: uma história que se repete.

A saída de Piria também chama atenção porque acontece praticamente junto à de VSM. Os dois chegaram à paiN com grandes expectativas após temporadas de destaque e deixaram a organização após performances abaixo do nível apresentado anteriormente.

Porém, mesmo com similaridades, os casos não são idênticos.

Vsm também teve uma mudança especialmente marcante na liberdade para exercer seu papel de coringa e playmaker, com poucas alterações em suas posições, enquanto Piria sofreu uma transformação mais clara na distribuição de funções:
Rotator → âncora no CT;
Coringa → lurker no TR.

Mas existe um ponto em comum:

Nos dois casos, a queda de desempenho aconteceu em um contexto no qual os jogadores tiveram menos espaço para explorar o repertório que havia contribuído para seus melhores momentos.

E esse não é o primeiro episódio desse tipo envolvendo a paiN.

Anteriormente, Dgt e Dav1deuS também passaram pela organização, chegando com grandes expectativas em 2025, mas deixaram a equipe após renderem menos do que o esperado. O interessante é que ambos os jogadores voltaram a ter grande destaque individual em seus novos times.

Isso não significa que todos os casos tenham a mesma causa. Cada jogador teve seu próprio contexto.

Mas a repetição levanta uma questão legítima que ja foi feita no artigo que falo do Vsm:

A paiN está conseguindo extrair o melhor de seus jogadores?

Para mim, é evidente que não.

Os jovens Rkzinho e Tatu entraram nos lugares de Piria e Vsm, e até o momento que escrevo esse artigo, se mostram muito promissores para o futuro, e toda a torcida espera que a organização volte aos bons resultados que ja teve no CS2. Agora é esperar para ver a evolução do novo time, e esperar que os jogadores consigam mostrar seus verdadeiros potenciais.


E o que esperar de Piria?

É difícil apontar uma causa única para sua queda. A temporada teve adversários mais fortes, mudanças de funções, novo sistema e um contexto coletivo diferente. Fatores internos como confiança e ambiente também podem ter influência, mas não são verificáveis externamente.

O que os dados mostram é que Piria perdeu impacto em praticamente todos os principais indicadores, ao mesmo tempo em que passou a atuar dentro de funções mais definidas.

Um novo ambiente, porém, pode oferecer a oportunidade de recuperar parte daquela liberdade de jogo, do alternar entre funções, e do protagonismo que marcou seu melhor momento em 2025.

Porque o Piria daquele ano não era apenas um jogador de bons números. Era um jogador que conseguia transformar liberdade em impacto.

Nota sobre a análise

A análise a seguir parte de uma perspectiva externa, utilizando números, estatísticas, posições, funções e informações observáveis nas partidas. A partir desses elementos, algumas interpretações são levantadas sobre as possíveis razões para a diferença entre 2025 e 2026.

Questões internas da equipe — como comunicação, decisões estratégicas, ambiente do elenco, confiança ou aspectos mentais — não podem ser verificadas diretamente. Portanto, quando esses fatores forem mencionados, devem ser entendidos como hipóteses e interpretações possíveis, e não como afirmações concretas.